quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Desenvolvimento Econômico

Por Benedito de Zarzuela Maia

O desenvolvimento econômico é um conceito que por sua amplitude aproxima a economia das demais ciências sociais. Sua caracterização não se restringe ao crescimento da produção em uma região, mas trata principalmente de aspectos qualitativos relacionados ao crescimento. Os mais imediatos referem-se à forma como os frutos do crescimento são distribuídos na sociedade, à redução da pobreza, à elevação dos salários e de outras formas de renda, ao aumento da produtividade do trabalho e à repartição dos ganhos dele decorrentes, ao aperfeiçoamento das condições de trabalho, à melhoria das condições habitacionais, ao maior acesso à saúde e à educação, aos aumentos do acesso e do tempo de lazer, à melhora da dieta alimentar e à melhor qualidade de vida em seu todo envolvendo condições de transporte, segurança e baixos níveis de poluição em suas várias conotações, para citar alguns.
Desta forma, a idéia do desenvolvimento econômico necessariamente se liga a processos dinâmicos que representem rupturas das condições econômicas vigentes. Como os processos de ruptura pressupõem alguma forma de acumulação de capital que a financie, o fenômeno do desenvolvimento está relacionado com as economias capitalistas. Também pela importância da acumulação de capital nesse processo é que se confunde às vezes na literatura o fenômeno do desenvolvimento com o conceito mais restrito de crescimento econômico, este envolvendo questões puramente quantitativas.
Novas tecnologias promoveram as revoluções industriais a partir do século XVIII e foram responsáveis pelos desenvolvimentos das nações que hoje integram o chamado primeiro mundo. Desempenharam importante papel não só no desenvolvimento industrial propriamente dito, mas também na agricultura, nos transportes e nos demais serviços daquelas nações. O “salto tecnológico” promove, portanto, a ruptura do processo econômico necessária ao desenvolvimento facilitando os processos produtivos, ampliando a escala de produção, aumentando a produção por trabalhador, gerando mais renda para ser gasta em outras inovações na compra de mais capital e na promoção do bem estar social.
Celso Furtado (1920-2004) definiu o desenvolvimento econômico como “...um processo de mudança social pelo qual um número crescente de necessidades humanas – preexistentes ou criadas pela própria mudança – são satisfeitas através de uma diferenciação no sistema produtivo decorrente da introdução de inovações tecnológicas.” (FURTADO, 1964).
A idéia de Desenvolvimento Econômico esteve presente nos primeiros estudos econômicos, desde os mais elementares. A Fisiocracia, escola de pensamento formada por economistas burgueses no século XVIII na França, ficou conhecida pelo trabalho pioneiro de François Quesnay (1694-1774) que, através de seu Tableau Économique de 1758, definiu o sistema econômico à semelhança do funcionamento do organismo humano. A agricultura era considerada pelos fisiocratas como única atividade produtiva e, portanto, o desenvolvimento dependia do aumento da produtividade agrícola. Para tanto defenderam a redução de impostos e condenaram gastos supérfluos e tudo que prejudicasse a venda da produção agrícola, necessária à capitalização da agricultura e à geração de excedente para estender o desenvolvimento às demais atividades econômicas.
O segundo passo no estudo da economia deu-se com a obra de Adam Smith (1723-1790), já entendendo como capaz de criar valor também a atividade industrial. Chamou-se Uma Investigação sobre a Natureza e Causas da Riqueza das Nações seu trabalho datado de 1776. Nessa obra estavam presentes as preocupações com o progresso econômico rompendo o equilíbrio estático das economias. Smith ressaltou os aspectos responsáveis pelo desenvolvimento econômico como a acumulação do capital, o crescimento populacional e a produtividade da mão de obra, introduzindo a idéia da divisão do trabalho como forma de promover o progresso econômico. A divisão do trabalho, que viabiliza o aumento da produção, depende de ampliação de mercados e este depende de condições econômicas que assegurem o aumento da quantidade de capital disponível na forma de instrumentos, ferramentas, máquinas e instalações.
Smith defendeu a liberdade de atuação dos mercados, sem intervenções de governo, para assegurar o crescimento dos mercados e os frutos decorrentes desse crescimento. Salientou a importância, para a promoção do desenvolvimento econômico, de instituições sólidas garantidoras da liberdade do comércio interior e exterior, a segurança da população, o direito de propriedade, o adequado ambiente político e uma legislação condizente com as aspirações desenvolvimentistas.
Em 1817 o economista David Ricardo (1772-1823), partindo das idéias de seu antecessor, destacou a importância das inovações tecnológicas para o desenvolvimento, embora seja considerado um integrante do grupo dos pessimistas entre os pensadores econômicos. Seu pessimismo decorreu das hipóteses com as quais trabalhou relativas aos rendimentos decrescentes da agricultura, na medida em que a terra se tornava mais escassa com sua exploração, e do crescimento da população relativamente ao estoque de capital. Um aspecto sócio-cultural de sua teoria se revelou nas preocupações que manifestou quanto ao problema causado pelas superpopulações. Estas eram típicas, segundo ele, de sociedades com padrões de subsistência mais modestos. Para evitar a superpopulação as sociedades deveriam ser estimuladas a experimentar mais divertimentos e mais comodidades, ou seja, maior bem estar, objetivo último do desenvolvimento.
Passados cincoenta anos da publicação dos Princípios de Economia Política e Tributação de David Ricardo, Karl Marx (1818-1883) publicou o primeiro volume de sua magna obra O Capital: Uma Crítica da Economia Política acrescentando importantes elementos à teoria do valor trabalho esposada igualmente por seus antecessores Ricardo e Smith. Marx considerou resultado de exploração, portanto condenável, toda renda que não fosse derivada do trabalho. É pelo trabalho que as relações sociais se estabelecem, determinando as estruturas social, cultural, legal e institucional da sociedade.
A teoria de desenvolvimento econômico de Marx se apoiou no método dialético de Hegel que vê nas transformações a origem do desenvolvimento progressivo das sociedades, a mesma ruptura ou desequilíbrio mencionado por Smith. Quando um novo conjunto de idéias da sociedade conflita com o padrão tecnológico existente, novas instituições favoráveis à evolução produtiva determinarão novo padrão tecnológico e este, uma nova ordem social. Historicamente Marx e seu principal colaborador, Friedrich Engels (1820-1895), utilizaram o método hegeliano para classificar as sociedades em quatro estágios: comunismo primitivo; escravidão; feudalismo; e capitalismo. Essa evolução, correspondente ao desenvolvimento das sociedades, se originou com a mudança da tecnologia que ao criar contradições internas fez emergir o novo, cada qual a seu tempo. Essa mesma contradição interna transformaria no futuro o capitalismo no socialismo e, posteriormente, este no comunismo.
No mesmo ano que o mundo perdia a genialidade interpretativa de Karl Marx do funcionamento das sociedades capitalistas nascia Joseph Alois Schumpeter (1883-1950). Este economista aperfeiçoou o conceito de desenvolvimento econômico ao distinguir as noções de estática e dinâmica na economia, vinculando à primeira noção o fluxo regular da atividade e à segunda, a perturbação do ciclo vicioso da estabilidade provocada pelo investimento a partir das inovações tecnológicas. Seu otimismo preconizava o desaparecimento dos problemas sociais se as economias experimentassem crescimento semelhante ao dos períodos passados.
O desenvolvimento econômico para Schumpeter é um fenômeno originário da própria esfera econômica, com características qualitativas novas, e não imposto de fora; este traduz apenas uma adaptação da economia à nova realidade externa. Ao contrário, o processo desenvolvimentista cria seu próprio móbil criando situação diferente da verificada em situação de equilíbrio. A erupção do processo ocorre, portanto, por iniciativa do produtor sendo posteriormente acompanhado pelos consumidores. Por essa razão apontou a importância do crédito ao empreendedor para permitir inovações e o conseqüente desenvolvimento econômico.
Na América Latina e no Brasil particularmente os ideais de desenvolvimento ganharam importância com os estudos da Cepal – Comisão Econômica para a América Latina, fundada na década de cincoenta por economistas da região preocupados com o atraso de suas respectivas nações. Sua principal contribuição consistiu na crítica ao pensamento convencional acerca da divisão internacional do trabalho, que separava as nações em função da disponibilidade dos fatores de produção, condenando os países ricos em recursos naturais à eterna dependência dos países industrializados, ricos em tecnologia e capital. Resultou da visão desses economistas o processo substituidor de importação adotado nas economias latinas para criar suas indústrias nacionais.
A substituição de importações no Brasil ocorreu dos anos trinta aos oitenta do último século e permitiu a criação de um parque industrial diversificado e atuante, absorvedor de mão de obra e gerador de produção para atendimento dos mercados interno e externo. Esse processo de crescimento foi interrompido nas economias latinas com a crise financeira internacional dos anos oitenta, prejudicando sobremaneira os países pobres pela sua forte dependência de capitais externos. Apesar do forte crescimento econômico experimentado na região, acompanhado da maior liberdade política, as populações pobres no Brasil pouco se beneficiaram com o crescimento, pois a distribuição do excedente durante todo o processo foi bastante concentrada nas faixas de renda superiores. Esgotado esse modelo as iniciativas para romper com o subdesenvolvimento na região a partir dos anos noventa têm priorizado a maior integração de suas economias com os países ricos através da maior liberdade comercial e financeira.

Bibliografia consultada:
ADELMAN, I. Teorias do Desenvolvimento Econômico. Rio de Janeiro, Ed. Forense, 1972.
CEPAL e COFECON. Cinqüenta Anos de Pensamento na Cepal. Bielschowsky, R. (Org.). Vol. I e II. Rio de Janeiro, Ed. Record, 2000.
FURTADO, C. Dialética do Desenvolvimento. Rio de Janeiro, Ed. Fundo de Cultura, 1964. 2ª ed.
SCHUMPETER, J. A. A Teoria do Desenvolvimento Econômico: Uma Investigação Sobre Lucros, Capital, Crédito, Juro e o Ciclo Econômico. São Paulo, Abril Cultural, 1982.
SOUZA, N. J. Desenvolvimento Econômico. São Paulo. Ed. Atlas. 1993.


Fonte:
http://www.esmpu.gov.br/dicionario/tiki-index.php?page=Desenvolvimento+econ%C3%B4mico

7 comentários:

  1. pelo que pude intender desenvolvimento econômico é a melhor forma em que o fruto do crescimento é ditribuido na sociedade em geral , na forma de uma vida mais facil , digamos assim , para todos , ou seja , uma sosiedade igualitária , mas em um estágio alto onde todos são beneficiados ( uma boa renda , melhores condições de transporte , saúde , escolar e lazer ...), mas muitos pensam que desenvolvimento econômico se refere apenas em riqueza específica de uma região ou país e não talvez de sua sociedade ,como deveria , mas acredito que esse pensamento não esta totalmente errado , porque nosso país mesmo sendo bastante desenvolvido em questões de crescimento , a sociedade é bastante castigada ainda ...
    mas se formos pensar pelo método hegeliano , de marx e engels , para classificar a sociedade em quatro estagios ( comunismo primitivo , escravidão , feudalismo , capitalismo ) podemos perceber que sempre quem mando no desenvolvimento foi a classe mais alta ou quem buscou por mudanças , talvez porque a sociedade sempre foi na maioria do tempo acomodada ( há exceções !!! ) ou porque não tinham escolhas e se contentavam com o que ganhavam ...
    enfin desenvolvimento econômico ao meu ver é a melhor forma do crescimento com a sociedade , juntos , em seus varios aspectos . acredito eu !!!

    ResponderExcluir
  2. Desenvolvimento econômico seria uma forma de ampliar vantagens a um povo e/ou país. São mais atribuidos à questões de pobreza,formas de renda,melhorias na saúde e educação ,etc.
    "Salto tecnológico",em um país com um bom desenvolvimento econômico não dependeria mais economicamente de países desenvolvidos.
    Traria um bem á sociedade, mas, porém à tornaria mais consumista. Deixando claro o capitalismo.

    Bruna Küster; 2º2

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Desenvolvimento Econômico é um conceito que por sua amplitude aproxima a econômia das demais ciências.Que trata principalmente de aspectos qualitativos relacionados ao crescimento.
    Seria uma forma de ampliar vantagens a um povo.São mas atribuidos á queatões de pobreza,á elevação dos salários,á melhoria das condições habitacionais,ao maior acesso á saúde e á educação e etc.
    Dessa forma,a ideia do desenvolvimento econômico necessariamente se liga a processo dinâmico que represetam rupturas das condições econômicas vigentes.
    "Salto tecnológico",em um país com um bom desenvolvimento econômico não dependeria mais economicamente de países desenvolvidos.
    Traria um bem á sociedade, mas, porém à tornaria mais consumista. Deixando claro o capitalismo.

    EDNA DE F.F.DA SILVA 2;2

    ResponderExcluir
  5. Pode-se dizer que o desenvolvimento econômico é tudo aquilo que faz um país ir para frente, fato. Penso eu que se um agricultor (exemplo) trabalhar apenas com empregados, ele sairia no prejuízo, pois pra ele sai muito mais barato ter varias maquinas e menos empregados, do que vários empregados e nada de maquinas, pois assim ele terá que gastar menos dinheiro com empregados e poder investir mais em maquinas e coisas que faça aumentar sua renda. Só que isso seria prejudicial à economia de um país. E para haver redução de pobreza deve ter mais empregos, para termos mais empregos devem ter mais empresas grandes, para ter mais empresas grandes devemos ter um país mais desenvolvido, ou seja, para tudo precisamos de uma boa economia e um país desenvolvido. Mas como nem todos os países são desenvolvidos, para evoluirmos devemos ter mais condições de trabalhos, mais educação, mais saneamentos básicos, mais segurança, etc. Para ter mais produção é preciso ter mais compradores e muitos empregados, isso faz com que aumente a renda das pessoas. Só que se aumenta o salário consequentemente aumenta o preço das mercadorias. Sempre vai ser assim, uma coisa depende da outra e assim vai, eu acho muito difícil um país ir para frente se continuar uma coisa dependendo da outra. E o país é sempre liderado pelas pessoas de mais poder e condição financeira, e a opinião dos “mais pobres” só muda alguma coisa em ano de política, ou melhor, dizendo só muda a campanha dos políticos. Se a maioria das pessoas pensassem em ter um país/mundo melhor elas iriam fazer alguma coisa, mais pessoas estão nem ai para o país, pois elas tão ganhando seu salário, e sabem se for reclamar podem ficar sem. E as pessoas que tem mais condições financeiras não fazem nada para mudar o país, pois eles tem tudo que querem, e sempre pensam apenas neles.

    Giselle Kaori Iwasaki 2º 2

    ResponderExcluir
  6. Como o próprio nome já diz, o desenvolvimento econômico, são processos que contribuam para o crescimento monetário de uma nação. Isso tudo envolve a tecnologia, que nos dias atuais é considerada indispensável, ainda assim tendo os pontos negativos, como por exemplo o “salto tecnológico” tem como objetivo o uso da tecnologia para maior comodidade das pessoas, para facilitar a vida dos mesmos, mas em certo ponto, quando o mundo torna-se um "mundo digital" a participação das pessoas não é a mesma que quando feitas sem participação de tecnologia. Um grande exemplo são as escolas virtuais, o aproveitamento do aluno é bem menor do que aquele que vai para escola estudar. Claro, que nesse caso também depende do esforço e dedicação de cada um, mas tecnologia demais pode ser prejudicial por deixar as pessoas acomodadas demais. Sem contar que grande parte do dinheiro investido em novos meios de tecnologia, que poderia e deveria ser usado para as melhorias de qualidade de vida em cada país, envolvendo educação, saúde, saneamento, segurança, entre as outras necessidades básicas. Dessa forma, o fato se ligando diretamente à política, que comanda o dinheiro e para o que ele vai ser usado e em pelo menos grande parte dos casos, os políticos apenas entram no governo não para ajudar realmente com o que precisa ser feito, mas muitas vezes querendo "meter a mão no dinheiro" ou até mesmo com coisas clichês que são dispensáveis. E assim segue o parâmetro, que um país sub desenvolvido nunca vai passar a ser desenvolvido, porque enquanto o sub desenvolvido cresce, o que hoje é considerado desenvolvido cresce ainda mais.

    Gabriela Christine da Silva, 2º2

    ResponderExcluir